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King Kong - o filme
Com certeza, o melhor filme do ano


Por: Thiago "Borbs" Borbolla
14/12/2005
 

É... O que é a experiência de assistir à este remake, eu ainda não consegui decidir. Mas, sem dúvida nenhuma, King Kong (King Kong, EUA 2005) é o melhor filme do ano. Com todo o seu detalhismo e três horas e sete minutos de duração, Peter Jackson conseguiu fazer uma obra de arte.

Assim como Sin City, Kong é um filme que se assiste, pensa, digere, vê comerciais na TV e começa a gostar mais, mais e mais. Percebe-se que, apesar de ser um filme de ação e aventura, tem toda uma outra história por trás que eu acho que só Peter Jackson e sua equipe conseguem passar. Foi assim com O Senhor dos Anéis também. É muito difícil sair do cinema gritando a quem quiser ouvir que o filme é muito bom. Mas depois de um ou dois dias, a gente acaba se arrependendo de não ter feito isso.

Refilmagem do clássico de 1933, King Kong narra os eventos que acontecem depois que Ann Darrow (Naomi Watts), atriz de teatro vaudeville que passa fome, como vários outros estadunidenses durante a "Grande Depressão", pensa em trabalhar em um cabaré. Ela tenta roubar uma maçã e acaba sendo salva pelo diretor de cinema Carl Denham (Jack Black) que oferece a ela o papel principal em sua próxima produção. Ela acaba aceitando a proposta - depois de saber que o roteirista era Jack Driscoll (Adrien Brody) - e no dia seguinte embarca, junto com Jack e a equipe de Carl, sem saber, para a "Ilha da Caveira", no cargueiro S. S. Venture.

Essa ilha, que abriga uma tribo humana desconhecida e um monte de bichos até outro dia dados como "extintos", só aparece depois de 40 minutos de filme. Embora pareça cansativo, se encaixa muito bem no que o diretor quis mostrar. Apresenta definitivamente os personagens, dando características que seriam impossíveis se não fosse esse detalhismo todo. Por exemplo, apesar de ser um completo sacana, Carl Denham, no fundo, só é um desastrado. Ann Darrow é uma linda e triste mulher. Até mesmo Kong é mostrado de uma outra maneira, mais humano, devido a esse "detalhismo" todo.

Kong
Ele, que pega Ann num sacrifício que a tal tribo fez para o "Toré Kong" (Deus Kong) e deveria comê-la em um local "sagrado", acaba se mostrando apenas um grandalhão solitário. Às vezes ele é até mais humano do que muita gente no filme. Claro, eu me refiro ao seu jeitinho sutil, mas uma coisa que contribuiu assaz foi a atuação de Andy Serkis. Ele, que ficou "mais conhecido" como o Gollum, dessa vez aparece como "Lumpy, o Cozinheiro", mas é o rosto e corpo por trás do gorila de 7,6 metros de altura. Tudo isso graças a um programa criado especialmente pro filme, que "traduzia" os movimentos humanos de Serkis para os símios do Kong. Dizer que ficou perfeito é besteira, né?

Clássico
Peter Jackson preferiu manter o filme em 1933, época do original. Ele escolheu isso para poder recriar a cena clássica dos biplanos atacando o macaquinho, quando este está em cima do Empire State. Com uma fotografia maravilhosamente bem feita, trabalhada e, acima de tudo, escolhida, existe todo um clima "clássico" no ar.

Na minha opinião, a escolha de Naomi Watts, aliás, contribuiu pra isso. A beleza dela parece vir daquela época. Quando colocada nas ruas de Nova Iorque daquele tempo então, é certeza. Ela nasceu no tempo errado. E com uma voz bem potente. Por pior que possa parecer, os gritos dela eram maravilhosos. Reais, mostravam o que tava sentindo mesmo.

Com toda essa idéia clássica, que se baseou num dos principais filmes da história do cinema, temos um outro clássico. Mais precisamente, um épico. Um épico lindo, um épico sensível, um épico épico. Com todos os ingredientes necessários, e o que era um filme de ação e aventura continua sendo assim nas cenas, mas a motivação de tudo o que acontece é completamente oposta. Tirando o humor, muito sutil, mas presente em praticamente todo o filme, que só está lá pra nos fazer rir mesmo, sem pretensão nenhuma, com diversas citações cinematográficas, que só os mais viciados vão entender.

Ou seja: podemos definir esse como uma comédia de ação aventuresca romântica. Ou não, também. Afinal, esse é um filme diferente do que estamos acostumados a ver, pelo menos pra quem só curte os "blockbusters", como eu. Pela história e a maneira como ela é contada, emociona qualquer audiência. Seja pelo riso, pelo choro ou pela vontade de ver coisas sendo destruídas.

Se a cada dia que passa eu tenho mais vontade de rever o filme e o meu gosto por ele também aumenta, tenho certeza que cada vez que eu reler essa resenha terei coisas e mais coisas a acrescentar. Por isso, só digo uma coisa: o filme é lindo. Recomendo com absolutamente todas as forças existentes em todos os Universos. Assista de manhã, de tarde ou de noite, com quem quer que seja. Mas uma maravilha dessas não pode ser passada em branco. Não é todo dia que um filme desses passa no cinema...

 
 
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